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Articulação e integração
de CRC em rede
Interdependência de competências
técnicas e organizacionais de CRC e sua articulação com outras redes
(de investigação e de apoio à formação), enquanto núcleos geradores
de conhecimento, em complementaridade com o Sistema de Formação
Profissional
O valor crítico da complementaridade
e das sinergias ganhas através de redes e parcerias
É já uma questão de senso comum admitir
a impossibilidade de uma infra-estrutura de conhecimento dispor,
dentro de si, de todas as competências necessárias à produção de
todas as soluções com valor para os seus clientes e utilizadores
e, por isso, está “condenada” a integrar-se em redes de produção
e disseminação de conhecimento onde exista complementaridade de
vocações, de especializações e de serviços com valor acrescentado.
Entre os desafios fundamentais que
se colocam a uma infra-estrutura de suporte ao conhecimento, designadamente
a um Centro de Recursos em Conhecimento (CRC), destaca-se a capacidade
em disponibilizar:
-
Rapidez - Soluções e respostas imediatas à solicitação
ou necessidade (existem casos de urgência em que a resposta
ou é imediata ou então deixa de ter sentido)
-
Personalização – cada vez mais as solicitações dos utilizadores
visam soluções para necessidades específicas ou respostas com
elevado valor de especialização
-
Acessibilidade – os clientes são cada vez mais autónomos;
sabem o que querem e aonde se dirigir; assim um CRC deve disponibilizar
acessibilidades físicas e virtuais quer às fontes de conhecimento,
como aos recursos, como ainda aos “motores de pesquisa”
-
Proximidade – os clientes valorizam a proximidade com
os seus contextos sócio-profissionais
-
Tutoria – traduzível no acompanhamento e supervisão
de itinerários e processos de aprendizagem, onde o papel do
feed-back pedagógico assume um valor determinante.
Estas capacidades transversais dificilmente
estarão disponíveis de forma optimizada num único CRC; poderão
ser desenvolvidas por uma rede de CRC onde a complementaridade de
competências, a partilha de recursos e a sincronização de atitudes
e estratégias de abordagem dos clientes seja uma realidade tangível
e visível quotidianamente no princípio “ os teus clientes meus clientes
são...”.
Estas são algumas da razões que justificam
a criação de uma Rede de Centros de Recursos em Conhecimento (RCRC),
enquanto sistema não-formal de apoio à educação e à realização de
projectos individuais de formação e rede de animação dos processos
de construção de conhecimento e de transferência do saber, indispensáveis
ao reforço da qualidade e da competitividade das entidades formadoras.
Missão e finalidades de uma Rede de CRC
A concretização de uma Rede de CRC
constitui contributo para o reforço das árvores de competências,
enquanto factores de desenvolvimento e de competitividade das pessoas
e das organizações.
Assim:
-
Uma rede de CRC dissemina os resultados da
investigação aplicada, da inovação na gestão dos recursos humanos
(GRH) e dos processos empresariais bem sucedidos;
-
Uma rede de CRC é um polo receptor e divulgador
dos suportes de formação, designadamente aqueles cuja concepção
e produção tenham sido financiados pelo FSE.
-
Uma rede de CRC constitui-se como suporte
das entidades formadoras e dos profissionais de formação, facilitando
o desenvolvimento da sociedade do conhecimento e contribuindo
para o combate à info-exclusão;
-
Uma rede de CRC é um canal de disseminação
e utilização de produtos de auto-formação, dirigidos preferencialmente
aos profissionais da formação e às micro-empresas e PME, habitualmente
excluídas das acções de formação presencial;
-
Cada CRC funciona como uma Antena de um Observatório
permanente, constituído por todos os Centros, desejavelmente
disseminados por todo o território nacional, de soluções com
sucesso nos domínios da formação e inovação na GRH, procedendo
ainda a um levantamento rigoroso e sistemático das necessidades
de informação e formação dos sectores para que está vocacionado;
-
Uma rede de CRC funciona por objectivos, tendo
uma carta de qualidade e um modelo de funcionamento distintivo
que, sem descaracterizar a especificidade de cada CR, apresenta
um “layout” de serviços e uma imagem comum;
-
Uma rede de CRC deve privilegiar a proximidade
e representatividade de cada CRC (fisica, cultural e tecnicamente)
face aos sectores de actividade socio-económica importantes
das regiões, podendo constituir critérios fundamentais para
a sua localização, entre outros:
-
a proximidade a domínios profissionais
ou fileiras de profissões críticas para o desenvolvimento
de determinada região
-
a integração em zonas com “bolsas” significativas
de desemprego de longa duração
-
a integração em áreas onde a oferta formativa
é escassa face à procura
-
a proximidade a sectores de actividade
em processo de reconversão ou a viverem momentos de perda
de competitividade ou processos de turbulência tecnológica
Matriz de Actividades Económicas e Sociais
Uma Rede de CRC deve privilegiar
os Centros de Recursos que operem em domínios profissionais ou sectores
de actividade económica e social que revelem carências ao nível
de estruturas de suporte ao desenvolvimento das competências dos
respectivos Recursos Humanos.
Os Centros de Recursos devem capitalizar
a sua proximidade física com os domínios profissionais e sectores
de actividade económinca e social estratégicos ou críticos no seu
espaço ou “território” de influência, através da identificação e
da utilização de canais privilegiados de contacto com os actores
e operadores públicos e privados que estão no terreno.
A caracterização detalhada dos domínos
profissionais e sectores de actividade económica e social específicos
ao espaço de influência de cada CRC pode ser aprofundada através
da utilização da matriz a seguir apresentada; esta matriz, enquanto
instrumento de análise e apoio, pode apoiar a projecção e a identificação
da fileira de actividades económicas e sociais críticas em cada
área de influência do CRC, tendo em vista a decisão sobre:
-
a informação técnico-científica prioritária,
assim como a subsequente especialização documental,
-
a especificidade e o “portfólio” de recursos
técnico-pedagógicos a desenvolver,
-
as competências técnicas, organizacionais e
pedagógicas (residentes ou disponíveis no CRC) para apoio aos
perfis de utilizadores e clientes (organizações e indivíduos)
centrais ou estratégicos ao Centro de Recursos em Conhecimento:
Apresentam-se, de seguida, a Matriz-tipo
de análise dos domínios profissionais e sectores de actividade económinca
e social e a matriz que simula a realidade do espaço de influência
de um CRC.
Matriz de análise dos domínios profissionais e sectores
de actividade económinca e social

Matriz de análise dos domínios
profissionais e sectores de actividade económinca e social
do espaço de influência de um CRC

NOTA:
-
a negrito as actividades económicas
e sociais estratégicas ou de elevado potencial (p. ex.
A.4 - agro-indústria );
-
em letra normal as actividades
económicas e sociais com expressão e importância intermédia
ou de crescimento reduzido (p. ex. A.2 - agricultura e florestas);
-
sem referência (em branco) as
actividades económicas e sociais sem expressão ou com expressão
muito incipiente.
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