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Caracterização
de um CRC
enquanto infra-estrutura
de suporte ao conhecimento e ao desenvolvimento de
competências de entidades formadoras e de profissionais de formação
Caracterização de um Centro de Recursos
em Conhecimento (CRC)
O papel dos CRC no contexto da formação
profissional
O conhecimento constitui,
hoje, o recurso estratégico fundamental para as organizações que
pretendem inovar nos produtos e serviços que disponibilizam aos
seus clientes e que visem reforçar a sua presença competitiva nos
mercados. Importa, assim, valorizar o “capital” residente nas atitudes
e comportamentos das pessoas e das equipas que as compõem e, mesmo,
das comunidades onde essas organizações estão inseridas.
Este processo de transformação organizacional
– através do conhecimento – desencadeia habitualmente mudanças culturais
e estimula a emergência de novas vontades e crenças das equipas
em torno do projecto estratégico da organização, facilitando ainda,
no plano das pessoas, a criação de condições favoráveis à acumulação,
actualização e valorização das competências individuais, enquanto
factores críticos da empregabilidade, da adaptabilidade e da flexibilidade.
Estas são as razões que fundamentam
a criação ou o desenvolvimento de um Centro de Recursos em Conhecimento
(CRC), enquanto polo não-formal de apoio ao desenvolvimento de competências,
através da realização de projectos de auto-formação, eventualmente
monitorados por tutoria pedagógica, garante da animação e da validação
de processos e de aprendizagens.
A proximidade física ou virtual dos
recursos em conhecimento e a sua adequação às necessidades dos cidadãos
contribuirão, por um lado, para o reforço das competências centrais
e transversais às fileiras de profissões estrategicamente importantes
aos sectores de actividade sócio-económica próximos ou afins à vocação
dos CRC e, por outro lado, esta disponibilização de conhecimento
útil “em casa e no local de trabalho” também contribuirá para o
combate à info-exclusão a que o cidadão, sem acesso à formação
presencial, está, muitas vezes, votado.
Assim, considera-se Centro de Recursos
em Conhecimento (CRC) a infra-estrutura organizacional que, assumindo
designações tão diversas como: Biblioteca, Mediateca, Centro Multimédia,
Centro de Documentação e Informação, Papelaria Pedagógica, Centro
de Recursos, etc., reuna - ou preveja desenvolver - as seguintes
valências/competências:
-
capacidade de desenvolvimento
de soluções e respostas a necessidades de informação e formação:
-
da entidade onde o CRC está
integrado, de acordo com a sua vocação e plano de actividades,
-
das entidades formadoras
e profissionais de formação que intervêm no sector de actividade
envolvente ao CRC,
-
em áreas do conhecimento
fundamentais às actividades sócio-económicas com expressão
no contexto envolvente do CRC;
-
capacidade de recolha, tratamento
e disponibilização de informação científica e técnica actualizada
em áreas específicas do conhecimento - nas quais esta infra-estrutura
se especializou - e útil a profissões ou competências-chave
de sectores de actividade significativos na envolvente do CRC;
-
capacidade de acolher, orientar
e apoiar os profissionais de formação na identificação de itinerários,
metodologias e suportes pedagógicos úteis à sua auto-formação
e à actividade que desenvolvem, incluindo a possibilidade de
pesquisa e experimentação de estratégias formativas inovadoras;
-
capacidade para prestar apoio
prático aos profissionais de formação e aos projectos de auto-formação
“negociados” e desenvolver todas as tarefas necessárias à organização
e funcionamento da infra-estrutura de recursos técnico-pedagógicos,
de documentação e/ou informação;
O Centro de Recursos em Conhecimento
(CRC) pode ainda desenvolver, ou prever vir a desenvolver a curto
prazo, soluções ou produtos de formação que respondam a necessidades
de formação, informação e investigação e desenvolvimento em áreas
de conhecimento ou nos sectores de actividade sócio-económica em
que está inserido.
O CRC deverá apostar na criação e
gestão de uma bolsa/carteira de utilizadores regular, que possa
exprimir necessidades em domínios técnicos específicos ou em domínios
transversais, tais como, a educação, a formação, a inovação e a
gestão de RH, incluindo-se neste universo os operadores de formação,
os formadores, os professores e outros consultores individuais.
A equipa de colaboradores do CRC
deverá integrar, a título permanente, as competências necessárias:
-
ao apoio a entidades formadoras,
residentes no seu espaço de influência ou com necessidades em
domínios técnicos próximos ou afins à vocação/especialização
técnica do CRC,
-
ao acompanhamento de projectos
de auto-formação em que os profissionais de formação estão envolvidos,
-
ao diagnóstico permanente e pesquisa
de soluções para necessidades detectadas nas populações-alvo
do CRC e
-
à organização e funcionamento
da infra-estrutura documental e de recursos técnico-pedagógicos
disponível no CRC.
Finalidades e acções dos CRC
Na perspectiva de melhor caracterizar
um Centros de Recursos em Conhecimento e equacionar o seu posicionamento
estratégico, perfilam-se como objectivos essenciais:
-
Apoiar, estimular e reforçar
a qualidade das intervenções das entidades formadoras, dos profissionais
de formação e de outros consultores e “agentes” de mudança nas
áreas da formação profissional, da gestão dos recursos humanos
e desenvolvimento organizacional;
-
Facilitar o acesso à informação
estratégica, designadamente nas áreas da orientação profissional,
educação / formação, inserção profissional, gestão de recursos
humanos, desenvolvimento organizacional e ainda outras consideradas
estratégicas nas áreas da inovação e desenvolvimento tecnológico;
-
Desenvolver as interfaces entre
quem produz e quem utiliza o conhecimento, entre as instituições
de I & D e os organismos de educação / formação e outros
operadores;
-
Difundir e conceder visibilidade
às experiências formativas, metodologias e recursos técnico-pedagógicos
desenvolvidos, incluindo os apoiados pelas ajudas comunitárias
e nacionais;
-
Desenvolver e apoiar a disseminação
de práticas bem sucedidas e a transferência de inovação nas
áreas acima referidas;
Perfilam-se como acções fundamentais
a desenvolver pelos Centros de Recursos em Conhecimento:
-
a constituição e/ou actualização
de uma biblioteca/mediateca de suportes científicos e técnicos
nas áreas estratégicas para o CRC, disponibilizando acesso físico
e virtual:
-
a bases de dados do CRC e
de outras infra-estruturas ou redes em que está integrado,
-
à consulta de recensões,
-
às obras materiais residentes,
-
a dispositivos e recursos
pedagógicos facilitadores de aprendizagens e de desenvolvimento
de competências;
-
seleccionar, aconselhar e difundir
métodos, metodologias e práticas de sucesso (enquanto soluções
disponíveis e transferíveis), adequadas às necessidades das
organizações, formadores e consultores;
-
Disponibilizar informação científica
e técnica ajustada às necessidades das entidades formadoras,
profissionais da formação e populações-alvo do Centro, através,
designadamente, de “linhas de atendimento” dedicadas;
-
Promover soluções formativas
a distância e a apoiar a teleformação (estimulando a autodixacia
assistida), e de uma forma geral facultar – para experimentação
pedagógica - os recursos técnico-pedagógicos disponíveis;
-
Simular e permitir a demonstração
de novos produtos de formação e metodologias pedagógicas inovadoras;
-
Estabelecer relações ou redes
privilegiadas com outros Centros de Recursos em Conhecimento
(nacionais e internacionais), de forma a actualizar permanentemente
a informação e os produtos/serviços, essenciais ao reforço das
competências dos clientes/utilizadores;
CRC - Tipologia de infra-estruturas
de apoio ao conhecimento - algumas características distintivas:
Podem identificar-se três tipos distintos
de serviços e respostas que as organizações de apoio ao conhecimento
podem disponibilizar aos seus “clientes” e utilizadores, permitindo
a “classificação” de uma determinada infra-estrutura (seja ela biblioteca,
mediateca, centro de documentação, papelaria pedagógica, centro
de recursos, banco de casos, etc....) de acordo com a predominância
do tipo de serviços ou produtos que oferece :

Infra-estrutura Tipo A – organização
que recolhe, trata e disponibiliza, de forma mais ou menos selectiva,
informação cultural ou técnica ajustada aos seus utilizadores; por
um lado, responde de forma reactiva às necessidades expressas pelos
utilizadores, por outro lado realiza periodicamente levantamentos
de necessidades previsíveis, determinadas pelas exigências dos objectivos
estratégicos e dos projectos organizacionais dos seus utilizadores
e prepara, atempadamente, informação sistematizada, especializada
e adequada.
Dispõe de recursos que facilitam
o acesso físico e virtual à informação, quer esta seja disponibilizada
em suporte scripto-visual, audiovisual ou multimédia.
Infra-estrutura Tipo B – para
além de integrar o perfil de competências “Tipo A”, esta organização
dispõe de respostas especializadas em domínios técnico-científicos
bem determinados, por outro lado, recolhe, trata e disponibiliza
recursos técnico-pedagógicos (RTP), isto é, informação científica
e técnica, pedagogicamente tratada, que se dirige a públicos-alvo
específicos, com objectivos de aprendizagem bem determinados, pressupondo
estratégias e metodologias de exploração pedagógica precisas.
Infra-estrutura Tipo C - para
além de integrar o perfil de competências “Tipo A” e “Tipo B” esta
organização tem capacidade para gerir projectos individualizados
de auto-formação, a partir da modelização de itinerários de aprendizagem
personalizados e apoiados em recursos técnico-pedagógicos ajustados;
a gestão e a animação de projectos de auto-formação pressupõem o
desenvolvimento de uma sólida rede de tutoria humana, para além,
de um sistema de monitorização e validação das competências adquiridas
por esta via não-formal; a implementação de um sistema de créditos
ou de unidades capitalizáveis, além de desejável, é tecnicamente
possível, através da introdução de um sistema que legitime e valide
formalmente as competências adquiridas neste contexto.
Esta infra-estrutura pode ainda apoiar
projectos organizacionais de desenvolvimento de competências e melhoria
da competitividade, designadamente de entidades formadoras, através
do acompanhamento de acções de diagnóstico organizacional, apoio
a iniciativas de identificação de práticas inovadoras e úteis (acções
de benchmarking e avaliação de potenciais parcerias) e suporte à
integração e incorporação de novas competências na organização.
A infra-estrutura de “Tipo C” corresponde
ao modelo de Centro de Recursos em Conhecimento que o INOFOR está
a desenvolver, estando em curso, tanto a sua modelização, como a
sua instalação, prevendo-se que, após a testagem e a validação de
modelos, competências e práticas, se inicie a sua transferência
e adaptação para uma Rede de CRC (em fase de preparação).
Breve caracterização das infra-estruturas de apoio ao conhecimento,
disponíveis em Portugal
As bibliotecas “técnicas”
Tomando como referência de análise
a tipologia descrita atrás, podemos presumir ( pela ausência de
dados disponíveis que permitam sistematizar uma “carta das bibliotecas
em Portugal”) que a grande maioria das bibliotecas “técnicas” portuguesas
se enquadram no Tipo A, identificando-se alguns casos de bibliotecas
com práticas sustentadas de Tipo B e presumindo-se a existência
pontual de infra-estruturas com uma dinâmica de funcionamento com
os atributos do “Tipo C”.
Tomando como ponto de partida a utilíssima
informação disponibilizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia
(sítio INTERNET: www.fct.mct.pt/bases.htm) sobre o “parque” conhecido
de bibliotecas “técnicas” portuguesas, caracterizamos, do seguinte
modo, as cerca de 700 infra-estruturas referenciadas:
| CONTEXTO INSTITUCIONAL / ÂMBITO DE ACTUAÇÃO
DAS BIBLIOTECAS |
%
|
|
Instituições Universitárias e Estabelecimentos de Ensino
e Formação
|
45%
|
|
Instituições Hospitalares (intervenção na área da saúde)
|
15%
|
|
Organismos da Administração Central
|
12%
|
|
Organismos da Administração Regional e Local
|
11%
|
|
Instituições e Centros de Investigação
|
9%
|
|
Empresas e Instituições Financeiras
|
6%
|
|
ONG (Organizações Não Governamentais) e Instituições Sociais
e Culturais
|
1%
|
|
Instituições Militares
|
0.5%
|
|
Outros
|
0.5%
|
A distribuição destas infra-estruturas
de apoio ao conhecimento revela-nos dois “desequilíbrios” estruturais:
-
do ponto de vista da distribuição institucional verificamos
que as instituições de ensino/formação, mais as instituições
hospitalares, mais os organismos da administração integram,
no seu conjunto, mais de 80% das infra-estruturas referenciadas;
-
do ponto de vista da distribuição das infra-estruturas no
território constatamos a assimetria entre o litoral e o interior,
assim como a sua concentração em Lisboa (43%), Porto (20%) e
Coimbra (17%), enquanto que cada uma das restantes cidades não
dispõe de um número de infra-estruturas superior a 5 (menos
de 1%).
Existe no Ministério da Educação
a preocupação de animar e desenvolver uma rede de Bibliotecas Escolares,
enquanto polos de apoio ao desenvolvimento de projectos educativos;
identificam-se 868 infra-estruturas deste tipo (fonte: INE, Estatísticas
da Cultura, Desporto e Recreio, 1996). Presume-se que esta rede
integre práticas típicas das infra-estruturas tipo A, considerando-se
que as mais dinâmicas ou mais solicitadas se enquadrem no tipo B.
A rede nacional de bibliotecas públicas
Iniciada em 1987 esta rede nacional
tem como objectivo essencial a instalação e desenvolvimento de modernas
bilbiotecas municipais nos 275 concelhos do Continente, através
de apoios do Ministério da Cultura; em fevereiro de 1998, 145 municípios
integravam esta rede, 74 dos quais já dispunham de bibliotecas inauguradas
e as restantes encontravam-se em fase de construção (fonte: Instituto
Português do Livro e das Bibliotecas, in http://rbp.iplb.pt).
A vocação desta rede enquadra-se no quadro que caracteriza as infra-estruturas
de tipo A.
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